"Essa não é uma de suas peças ridículas... é a vida real, merda!"
"Ridículas ou não, elas me fazem ganhar muito mais do que ganho com o tempo que gasto contigo. E se não queria uma opinião sincera sobre o assunto não deveria ter vindo até aqui. Que perguntasse a cínica da tua mãe."
"O mínimo que eu esperava de ti, depois de todo esse tempo, era que tu fosse honesto comigo o suficiente pra me falar o que tu acha d..."
"Mas eu fui. E é isso que te fere. Eu fui tão honesto com a minha opinião que falo: 'Isso está uma bosta'."
"É inveja, é isso? O que tu quer de mim afinal?" Após um breve silêncio, vociferou novamente. "Me responde, se tu é bem homem."
"Não é nada, eu só dei a minha opinião sobre o teu..."
"Ah. É uma bichinha não é." E começou a imitar uma galinha. "Pó, popopó..."
"Tu sabe muito bem que sou homem. Não era isso que tu falava ontem na cama pra mim? Ou isso tu fala pra qualquer um?"
"É... falo pra qualquer um mesmo..."
"Sua puta."
Depois de despejar a ofensa contra ela, deu as costas e deixou-a sozinha em seu próprio escritório. Ela, que estava chorando no chão da sala dele, ainda gritou: "Puta não, que eu nunca te cobrei nada pra fingir, seu... seu ... BROCHA!"
O andar inteiro do prédio, que até então escutava todas as palavras em silêncio, se dividiu entre aqueles que riam da impotência dele e aqueles que estavam a beira de uma crise de nervos. Àqueles que riam ele disse que fora 'somente uma vez'. Falou enquanto entrava no elevador para ir ao Saguão Principal.